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E a palavra é sempre refugio. Sempre, sempre, sempre...

sábado, 3 de agosto de 2013

FUGA ou

Minhas férias


Saí de lá e corri para a casa cidade. Aqui me confortei. Dormi, dormi, dormi. Mesmo acordada, mantive os olhos fechados. A casa é grande e confortável. Anula todos pensamentos. Tirei férias de mim. Me deixei pra lá. Aqui fiz qualquer coisa. Andei de carro, lavei a louça, qualquer coisa. Só não soube de mim. Nem livros, nem poemas, nem amigos. Fiz questão de esquecer de tudo. A casa é um útero: quente; me alimenta, me protege, me anula. A dor de cabeça incessante lembrava-me da existência. Corria, remediava e voltava a dormir. Virei criança. Respirei. Lá eu fui jogada do céu (ou inferno) direto para a terra. Sozinha. Procurei jeitos de existência e me afoguei em mim. Parou a vida e férias: Reviva! Nem pensei em nada, só existi, meio sem jeito. Agora acabou tudo. Tenho que voltar e lembrar de mim. Enfrentar o rebuliço. Ler Bukowski, Trotski, Vigotski. Ter obrigações maiores que lavar a louça da janta. Lidar com as olheiras. Viver, ai, difícil. De presente ganho uns sonhos. Mestrado, apartamento, casa de madeira na praia. Só eu. Sou feliz assim. Cheia de mim. Acabar esse texto e ler mais uns três. Tô criando até pseudônimo pra aguentar. O que eu fiz? Alguém me lembre o quanto sou feliz, porque sou tão distraída que esqueço o tempo todo.

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