Criatividade
espúria. Falácia
congênita. Devoro meus abismos nos entraves da dor. Sentimentos recalcados. Tristezas renegadas. Correm de mim meus obstáculos. Saem da pele as águas turvas que habitam a vida. Sacos cheios de vergonhas, corro atrás de artifícios cíclicos para negar qualquer sentimento que ousasse chegar em minha pele escura, minha pele turva que corre e corrói o coração tão seco. Garganta dói por não dizer o já dito. Me confito, sou o não-dito. Foi embora a alegria, é só um peso e a tentativa de felicidade que eu carrego por aqui. Quero que vá embora toda casca adoecida que habita esse mundo. Vão embora! Amargura que existe vai cuspir em vocês qualquer palavra. Palavra feia, que seja! Um nojo das estruturas que acorrentam acessa em mim um pedido de fuga. Só um outro mundo pode me dar a coragem de fugir. Coragem em mãos: pulo do abismo. E vivo! Me jogo em qualquer água que queira matar minha sede. Sede. Sede de mim. Porque na terra eu só vejo morte.
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