Eu sinto um não ser. Como quem nasce. Das inquietações tirei
a vida. Firme, apagada. Quatro cruzes me enterraram. Quem são, jamais saberei.
Éramos qualquer coisa...
Junto a noite encontrei a solidão. Meu quarto, escuro aos
olhos de quem escuta. Meus dias: pálidos. Um rosto que não se vê. Se
desencontra no espelho. Um trapo de roupa tentando ser vestido.
Um dessaber que é vômito
Uma vontade fugida
Uma tristeza apagada
Cai em mim a dor da vida
Uma cabeça que torre
Que desliza e faz de mim
Qualquer velha morta que ainda sabe que não há possibilidades
nenhumas de intrigas
Eu sou maior
Cresci e ando aí
Cais e farois ao meu redor tentam sinalizar qualquer coisa
Uma luz
Foi embora
O escuro me persegue
Eu sinto e caio
Me lambuzo em lama
Lama que tem gosto
Lama que me agarra e me enfrenta
Uma cabeça cheia de lama que vomita sofrimento
Dessa palavras duras me faço
Eu sou essas palavras
Eu sou minha própria lama
E canto
E sonhoCom uma coroa de barro
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