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E a palavra é sempre refugio. Sempre, sempre, sempre...

terça-feira, 19 de maio de 2015

Eu sinto um não ser. Como quem nasce. Das inquietações tirei a vida. Firme, apagada. Quatro cruzes me enterraram. Quem são, jamais saberei. Éramos qualquer coisa...

Junto a noite encontrei a solidão. Meu quarto, escuro aos olhos de quem escuta. Meus dias: pálidos. Um rosto que não se vê. Se desencontra no espelho. Um trapo de roupa tentando ser vestido.

Um dessaber que é vômito
Uma vontade fugida
Uma tristeza apagada
Cai em mim a dor da vida
Uma cabeça que torre
Que desliza e faz de mim
Qualquer velha morta que ainda sabe que não há possibilidades nenhumas de intrigas
Eu sou maior
Cresci e ando aí
Cais e farois ao meu redor tentam sinalizar qualquer coisa
Uma luz
Foi embora
O escuro me persegue
Eu sinto e caio
Me lambuzo em lama
Lama que tem gosto
Lama que me agarra e me enfrenta
Uma cabeça cheia de lama que vomita sofrimento
Dessa palavras duras me faço
Eu sou essas palavras
Eu sou minha própria lama
E canto
E sonho
Eu sou uma rainha
Com uma coroa de barro

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