Engraçado como essas coisas que falam de gente me tocam. Parece que têm um jeito certinho de ser, de existir. O problema é que cada texto, cada linha, cada isso e aquilo, só está ali pra confrontar de frente quem sou. Mas sim, realmente está. Na verdade só está para mim porque meus olhos querem desse jeito. É como se eu tivesse que andar desviando. Um pouco para lá, um pouco para cá. Sempre cuidando para não cair no chão. No meu chão. Cuidando para que uma dessas palavras não venha rápida na horizontal e corte ao meio essa minha estrutura ambulante. Não sei bem de onde vêm todas essas coisas. Sei que vão além dos olhos, vão além do tal do córtex. Se eu voltar atrás e pensar em meus pintores e artesãos, talvez entenda alguns desses nuances. Até porque nessa coisa de criação a gente se mistura e acaba sendo vários pedacinhos da mesma coisa. Só muda a ênfase. E minha ênfase é em mim. Daí eu vou nessa corrida: Se procurando e se destilando. Sempre tentando entrar em categorias que vêm e vão e que são mutáveis demais pra me dar um pinguinho de segurança. O outro problema é que ficar caindo assim às vezes machuca, tira um pedacinho da pele. Mas é bom. Porque a outra que cresce depois vêm mais madura, mais sabida. Acho que por ter que percorrer tão de novo o caminho, - a pele - acaba chegando com aquele olhar curioso, de quem sabe que não é. Aliás, de quem sabe que o ser é um pouquinho de todo mundo. E que o melhor não é tentar ficar pensando em ser. Porque assim não se existe. O melhor é viver aqui e em todo lugar. Se misturar rostos à dentro e fugir do monólogo chato que às vezes a gente vira. Deixar ser e rolar pelos cantos e bares e lares. Com roupa, sem roupa, tanto faz. Deixar dançar por ruas e artérias e por todos os lugares do mundo. Vou tentar transformar esse fiozinho queimado dentro de mim em fio macio de lã. Acho que vou me enrolando por aí, deixando e colhendo uma lãzinha de cada um.
Só assim eu me costuro.
Só com outros.
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