Da sala de aula
Ela chega - a professora - e vomita em mim o mundo. Eu nego e me implico. Nos implicamos frente a quietude dos outros que também gozam (e morrem) daquele mesmo mundo. O cansaço em meus nervos levam-me para fora daquele espaço hierarquizado. O suor escorre, tal como as palavras da boca dela. Volto e sinto o poder em mim, meu corpo resiste a não virar a sala de aula. Fala! Viva! Eu suplico! Os outros esquecem e ficam no lugar de recebimento, a osmose do conhecimento desligado do mundo é inerente ao espaço da ditadura da sala de aula. Corro imóvel para o papel mais próximo e jogo as dores que as falas desconexas me criam. Depois acaba e o horário nos permite sair. Sair para longe. A sala de aula é uma prisão. Prisão sutil e velada. Buscos furos das insituições para existir. Quebro o cerco, bato, xingo, grito. Por que é tão difícil existir? Logo tudo volta ao costumeiro e ao menos um sentimento mínimo de esperança resta em mim. Eu vivo de restos. É o vácuo que me completa. A falha, o ruido, o erro.
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