Hello

E a palavra é sempre refugio. Sempre, sempre, sempre...

domingo, 6 de dezembro de 2015

[1]

Pois aí te perdi?
Depois de te pedir?
Ou perdi-me à mim?
Sem nunca ter tido a ti?
Ou te tive sim
E você que perdeu a mim?

Quando foi que nos perdemos
Nesses enlaces que tecemos?
Quando desenrolamos
Os fios mal ditos que trançamos?

Eu disse à ti
Não saiba de mim!
E disse a mim
O que queria de ti
Nisso tudo
Perdi
À quem?
Não sei.

Relações inefastas
Invólucros sinuosos que acabam (com um tico de coração saqueado)
Porque amar é sempre bom
Mas ser amada
É de outro tom

Foi bom me encontrar em ti
E ver um pouco de ti em mim
Foi bom te beijar assim
Sem nada à pedir
Sem muito a seguir

Foi como lembrar
Dos tons sem contraste da vida
Dos sons que não são cantigas
Da nota que não é música
Só acorde desfeito
Um sussurro:
Suspiro rarefeito

Coisa que aparece e se vai
E do que resulta
Ninguém sabe
Porque nesse encontro só cabe
Um dedilhado meio errado
Cavado nunca tocado
Um som que chega na janela à noite
Esvaído
Evanescido
Sem sentido
Só a casa escuta
Mas que quase luta
Pra não ser ouvido

[2]

Poema é delírio
Realidade insuportável que vaza
Escorre por onde pode
Poema é morte
Morte que vive
Triunfa na tragédia do vazio
Poema é flor pálida caida no chão
Pintura bonita jogada fora
Poema é um dia de sol sem vontade de mar
Um não querer tedioso que se inscreve num papel branco
Poema é dia depois de vômito
É sensação de queda livre em sonho
Poema é não poder
E fazer o que se pode
Com o que se tem
Poema é um jogo livre sem regras
É um estar longe de um não se sabe o quê
Uma volta imediata a um vazio etéreo
Poema é criatividade estéril
é luz do poste que apaga a luz da lua
Sorrigo frágil escondido no breu
Cabelo preso soterrado em tragédias
Dias regresssos do que não se deu

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